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Marjorie Online

Consolidação

Postado em 20 Apr 2009
por Mary Prieto
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Queridos leitores, é bom estar de volta. Achei que fosse começar esses escritos e deslanchar, bem como nunca imaginei que fizesse tanta falta (até para mim mesma) interromper o fluxo de palavras e de idéias que passam pela minha cabeça. Estava enganada. Sucintamente dizendo, a la Marjorie Estiano: “A vida sempre dá um jeito de mostrar que é ela quem manda”.
Estava enganada pois nesse período de ausência, percebi o quanto é complicado e desafiador, consolidar uma idéia, transformando-a num conceito, que não está, ainda que consolidado, imune a transformações. É como a terra: ainda que pronta e habitável, esteve sujeita ao rachar das placas tectônicas e teve então que se transformar, se transfigurar. É diante desse panorama, que eu digo: imaginem quanto deve ser complicado então consolidar uma idéia a respeito de uma pessoa, mas não de uma pessoa qualquer, de uma pessoa que é um ícone, ou seja a imagem como ponto de reverência? Pois bem, agora se torna compreensível, o trabalho de colunista, ou melhor ainda, o trabalho de colunista, sujeito a ídolo e fãs. Eis aqui o meu trabalho.
A cada texto que escrevo, carrego comigo primeiramente a ciência de uma responsabilidade, que vem seguida do prazer em realizar o trabalho ao qual me propus e finalmente, o alívio e a gratidão pela concordância, manifestações e aclamações por mais. A mesma coisa ocorre com a Marjorie, nessa ordem. Logo, percebe-se que não seria tão difícil discorrer sobre, mas é, por que um ícone também se transfigura. Por quê? Porque antes de tudo, o ícone está sob a condição humana, ainda que por muitas vezes exaltado como Deus.
É por estar sob a condição humana, e agora, fundamentalmente para nós sob a condição de ídolo, que toda vez que nosso ícone se transfigura é tão difícil escrever sobre. Porque, consegue, por tantas e incontáveis vezes, nos surpreender, sob a face do riso, do pranto, do som e do silêncio, daquilo que é imagem de si e o oculto de si. Meu trabalho persiste, em busca da chave citada por Carlos Drummond de Andrade, e muito bem caracterizado por Olavo Bilac :

“Longe do estéril turbilhão da rua
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego
Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua!
Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego”

A um poeta, Olavo Bilac

“Chega mais perto, e contempla as palavras.
Cada uma
Tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?”

Carlos Drummond de Andrade

Sim, e é dessa maneira que meu trabalho persiste, nessa trama que é a procura da chave para a descoberta da Marjorie que se transfigura, com mérito a cada dia. Meu trabalho persiste na descoberta dessa figura, grande figura.

Marjorie Online

Condição Humana?

Postado em 08 Mar 2009
por Mary Prieto
| 9 Comentários



Há algum tempo que já procuro palavras em meus escritos para definir essa condição que nos torna um grupo em particular dentro da sociedade, que nos caracteriza, e que muitas vezes já nos tachou de “loucos” sem análises posteriores, apenas com os conceitos prévios. Pois bem. Aproveitarei esse espaço que me cabe para realizar uma mudança de tática: Nesse texto, utilizarei da melhor forma possível, o sentido denotativo, ou seja, literal à respeito da característica majoritária (risos...), que nos une: O fanatismo. As metáforas e sentidos figurados que os fãs compreendem, aqui serão parcialmente “esquecidos” para que, nessa mudança de tática talvez eu possa ampliar tal campo de visão que muitas vezes se restringiu somente a nós “manáticos”.
Sendo a história e a reflexão ótimas maneiras de compreensão do nosso tempo e atitude, que recorramos a historicidade dos fatos para perceber o quanto essa condição de ser fanático é discutida ao longo dos anos.
Comecemos pelo século 18 por exemplo, quando a palavra fanatismo era inicialmente entendida e empregada com o mesmo valor de entusiasmo. Acredito que essa denominação mesmo que mais antiga continua sendo muito válida não? Ser fã, é ser naturalmente entusiasmado. Se empolgar até mesmo com aquilo que sabemos que é o mais improvável. E quando dizer que sonhar faz bem, concordamos, pois fazemos deles a base para fazer cumprir uma realidade improvável, mas nunca impossível. É isso, o entusiasmo é a parte de ser fã que nos dá esperança.
No uso moderno, fanatismo acabou prevalecendo sobre entusiasmo, para indicar a certeza de quem fala em nome de um princípio absoluto, e portanto pretende que suas palavras sejam absolutas. Sendo um princípio absoluto que une uma sociedade, automaticamente este se torna incontestável. E muita cautela, não me refiro a opiniões, das quais várias são possíveis. Me refiro a um princípio, algo que é maior, e que dificilmente pode ser modificado apenas com a exposição de pontos de vista, por exemplo o princípio de dizer a verdade. Nesse nosso universo de fanáticos, ocorre a mesma situação: Há um princípio absoluto de que falar em nome de Marjorie Dias de Oliveira é algo naturalmente bom, porque os princípios que seguimos, encontramos nela, independente do seu trabalho, falando somente da essência que entendemos ser essa pessoa.
É isso, esse princípio, que dá origem ao sentido de fanatismo que os antigos diriam que “arrebata o espírito”, algo tão estrondoso, tão forte, que além de mexer com a psiquê,
altera o próprio metabolismo. Ai cabe o exemplo dos fanáticos religiosos, com a mutilação e os “homens bomba”. E isso ainda não é distante da nossa realidade. É só pensar até que ponto seriamos capazes de agir pela Marjorie, e já temos casos de brigas com agressão física. Não é o melhor método, mas na falta de dialética, é o que encontramos. Fique bem claro, isso não é uma condenação e sim uma constatação. Pensemos pelo ângulo de que os atos mais heróicos da humanidade tiveram que derramar sangue para modificar ou permanecer com ideais.
Partindo para o uso mais atual possível, temos como definição de fanatismo “uma transgressão dos limites da razão humana, em nome de princípios. Aí já não existe mais psiquê compreensível. Nem Freud explica. Vamos tão além, que chegamos ao ponto de ultrapassar a racionalidade. Mas não somos loucos, somos essencialmente paradoxais. Paradoxais porque temos consciência dessa irracionalidade que nos habita, e por ter consciência, ela acaba se tornando racional, já que ter consciência também pressupõe ter lógica. Ai é que mora o problema, como afirmei anteriormente, a irracionalidade só se torna racional com a consciência que temos da mesma. Mas qualquer indivíduo externo a isso, naturalmente nos chamará de loucos, ou de fanáticos em sentido de exagero, portanto, prejudicial. Mas não tem problema, pois não é a conclusão desse fato que nos fará mudar. Até porque, quando compreendemos a situação em que vivemos, fica muito mais fácil vivê-la. Agora sim, voltando aos costumes metafóricos, gostaria de dizer que, para todos assim como eu, que compreenderam essa condição, eu lanço a campanha “alucinados conscientes”, afinal isso nos faz “sentir tão bem”...

Marjorie Online

Flores

Postado em 14 Feb 2009
por Mary Prieto
| 11 Comentários

“Flores são recatadas, ficam vermelhas, rosas pro mundo ver”. Não há maneira melhor de descrever essa fase de transição pela qual está passando Tônia. Uma menina, impedida de desfrutar dos raios solares da vida, por que o irmão Murilo (que acredita ser o único ponto de referência confiável), está produzindo uma enorme sombra, e consequentemente, um grande obstáculo.
Mas obstáculos existem para serem superados. E é exatamente por essa razão que já no início da trama, a nossa linda menina tem nos mostrado que não há planta que cresça sem sol. É natural, instintivo do ser, buscar aquilo que precisa para que possa sobreviver. E ela diante do irmão é como uma árvore jovem que se entorna para onde for preciso para encontrar a luz. Luz de escape, de alerta, de um sol que se chama amor.
Quando ela irá alcançar tudo isso? Ora, uma planta não gera frutos do dia pra noite. Primeiro, ela terá que se libertar das raízes familiares que insistem em prendê – la fortemente ligada à terra. Quase um cordão umbilical (no sentido mais metafórico de “mãe natureza). No entanto, “pra que manter os pés no chão, se todo mundo quer voar?”. Para que isso possa acontecer, ela terá que se livrar ainda do fado que foi se restringir a um “eu” estranho. Porque o seu próprio eu, por várias vezes se alienou a aquilo que era sua vontade para seguir passivamente o que aquela sombra que dava abrigo, julgava ser correto. Enquanto não fizer isso, será apenas mais uma “flor sem porquê”
Mas não. Tônia resolveu passar da irmanzinha gentil e submissa a uma mulher decidida. E essa femililidade foi essencial, afinal, “flores se reparadas, ficam mais belas, prosas por todo ser” É simples assim. A menina que “não tem mais treze anos desabrochou e tornou-se uma linda rosa, com a essência mais pura de ingenuidade que pode existir. Mas é válido lembrar que as essências mais puras são as mais raras. E sendo assim é só ter paciência, porque as flores mais raras, mais cedo ou mais tarde serão as mais notadas.
“Flores sempre tão enfeitadas, só necessitam de atenção.” E prestaremos atenção, todos os dias em “Caminho das Ìndias” adentraremos esse jardim, pois temos certeza que essa linda espécie rara trará bons frutos à todos que estiverem em sua volta.


Marjorie Online

Identidade

Postado em 28 Jan 2009
por Mary Prieto
| 15 Comentários

Marjorie tem toda a razão : “Glória é danada”! Tão danada que logo ao início de sua trama já foi capaz de misturar a identidade de personagem com a pessoa que o atua. Não me refiro simplesmente ao “emprestar o corpo” para que as cenas aconteçam. O ponto ao qual quero chegar é o entrelaçado de construção e evolução pessoal que a autora conseguiu criar e que nos possibilitou a percepção de como essas duas pessoas -a que representa e a representada - estão próximas.
Partindo de um ângulo meio desfocado até o mais claro, veremos o quanto isso é verdade com curiosidades buscadas pela autora na vida da atriz e as próprias falas da Marjorie sobre o assunto, afinal, “Glória é muito curiosa” e nós também somos. Comecemos:
Ela é a prova viva de que esta história de loira burra é pura besteira. O menina pra ser inteligente! Na época da escola sentava na primeira fila e não tirava nota vermelha, realmente muito disciplinada. Tal qualidade foi passada para a personagem, que tem nos mostrado que também é uma “nerd” de primeira, a ponto de deixar de ter uma vida pouco mais sociável por causa dos estudos. E ai vem a timidez, a preservação pessoal, que é mais uma característica presente em ambas as citadas aqui.
Por que eu falei de loira? Não não é apenas Tônia que exibe suas madeixas douradas, pois Marjorie no período de transição adolescência/vida adulta (que aliás, é o período que está sendo retratado na novela), era loiríssima! Sim, podem acreditar. E já que tocamos no assunto visual vamos aprofundar um pouco a nossa visão: assim como a “Marjorie da ficção”, a nossa ídola também nessa época da vida teve hipermetropia, e teve que usar óculos muito semelhantes aos que usa Antônia Cavinato. E ai foi levantada a polêmica “Betty, a feia” oras, “uma pessoa não pode ser linda e míope?”. Pode sim Marjorie, sem dúvida.
O figurino é uma mistura. Mistura que produz um estilo único, e isso simplesmente isso já é capaz de traduzir o modo de vestimenta de Marjorie e de Tônia: Algo que inicialmente procura praticidade que conforto e, em segundo, para ocasiões especiais, busca a feminilidade e elegância que transmitem a meiguice de alguém que se descobre a cada dia. E assim como Estiano, adoramos descobrir quem admiramos é incrível! O que a autora está realizando com esse trabalho então? É tão incrível quanto! É praticamente uma análise do eu sob outro ponto de vista... A análise de um eu que começa de uma maneira frágil e determinada e que conforme cresce trilha um caminho que pode ser incerto, mas que se mostra ainda mais determinado. Que caminho é esse? Caminho das Ìndias! E mais um trecho do longo e lindo percurso de Marjorie Dias de Oliveira.

Marjorie Online

A cura

Postado em 03 Jan 2009
por Mary Prieto
| 8 Comentários

Na próxima novela das 20:00, “Caminho das Índias” Marjorie estará encarregada de interpretar uma estudante de medicina. Alguns talvez achem estranho e/ou estejam ansiosos para ver como ela irá conduzir esse novo trabalho, que com certeza vai fugir um pouco do aspecto “mocinha” que esteve presente nas novelas anteriores, no entanto, esse universo não é tão desconhecido assim.
Tenho consciência de que isso parece meio paranóico à primeira vista mas, me refiro à essa característica em comum, aos médicos e à Marjorie, de nos fazer sentir bem, de sanar e curar nossas angústias, medos, tédios etc... afinal, quantos de nós fãs em um dia de tédio, já não colocamos, o mesmo CD e/ou DVD que já ouvimos milhares de vezes, só para ter o prazer de ouvir de novo? E isso incrivelmente nos faz sentir renovados e melhores, por quantas vezes o escutarmos. Claro, por ser algo repetitivo devia nos causar a mesmíssima sensação de tédio, mas repito, não tem nada paranóico ou ilógico nisso.
É como uma vacina. A mesma coisa pela qual somos doentes alucinados é aquela que serve de antibiótico, que nos revitaliza. E como qualquer medicamento, a medida em que vai sendo utilizado, vai curando o organismo, mas também encontra vírus mais resistentes. O que seria esse vírus que Marjorie não é capaz de curar? A ansiedade. Ansiedade, calafrios, tremedeiras, de uma população de fãs contaminados pelo desejo de vê-la, abraçá-la, estar junto apenas.
Porém, mesmo sem conseguir curar isto, ela consegue remediar. Sim, pois depois que estamos junto com ela, todos esses sintomas vão gradativamente sendo cessados, até que uma sensação enorme de alegria e satisfação toma conta do nosso ser, até que surjam outras oportunidades desse maravilhoso “contágio”
Enquanto esperamos até a nossa “cura” na estréia do dia 19, é válido repetir que “You got the power make me fell good”, “Oh darling”!

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