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Queridos leitores, é bom estar de volta. Achei que fosse começar esses escritos e deslanchar, bem como nunca imaginei que fizesse tanta falta (até para mim mesma) interromper o fluxo de palavras e de idéias que passam pela minha cabeça. Estava enganada. Sucintamente dizendo, a la Marjorie Estiano: “A vida sempre dá um jeito de mostrar que é ela quem manda”. Estava enganada pois nesse período de ausência, percebi o quanto é complicado e desafiador, consolidar uma idéia, transformando-a num conceito, que não está, ainda que consolidado, imune a transformações. É como a terra: ainda que pronta e habitável, esteve sujeita ao rachar das placas tectônicas e teve então que se transformar, se transfigurar. É diante desse panorama, que eu digo: imaginem quanto deve ser complicado então consolidar uma idéia a respeito de uma pessoa, mas não de uma pessoa qualquer, de uma pessoa que é um ícone, ou seja a imagem como ponto de reverência? Pois bem, agora se torna compreensível, o trabalho de colunista, ou melhor ainda, o trabalho de colunista, sujeito a ídolo e fãs. Eis aqui o meu trabalho. A cada texto que escrevo, carrego comigo primeiramente a ciência de uma responsabilidade, que vem seguida do prazer em realizar o trabalho ao qual me propus e finalmente, o alívio e a gratidão pela concordância, manifestações e aclamações por mais. A mesma coisa ocorre com a Marjorie, nessa ordem. Logo, percebe-se que não seria tão difícil discorrer sobre, mas é, por que um ícone também se transfigura. Por quê? Porque antes de tudo, o ícone está sob a condição humana, ainda que por muitas vezes exaltado como Deus. É por estar sob a condição humana, e agora, fundamentalmente para nós sob a condição de ídolo, que toda vez que nosso ícone se transfigura é tão difícil escrever sobre. Porque, consegue, por tantas e incontáveis vezes, nos surpreender, sob a face do riso, do pranto, do som e do silêncio, daquilo que é imagem de si e o oculto de si. Meu trabalho persiste, em busca da chave citada por Carlos Drummond de Andrade, e muito bem caracterizado por Olavo Bilac :
“Longe do estéril turbilhão da rua Beneditino escreve! No aconchego Do claustro, na paciência e no sossego Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua! Mas que na forma se disfarce o emprego Do esforço: e trama viva se construa De tal modo que a imagem fique nua Rica mas sóbria, como um templo grego”
A um poeta, Olavo Bilac
“Chega mais perto, e contempla as palavras. Cada uma Tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta pobre ou terrível que lhe deres: Trouxeste a chave?”
Carlos Drummond de Andrade
Sim, e é dessa maneira que meu trabalho persiste, nessa trama que é a procura da chave para a descoberta da Marjorie que se transfigura, com mérito a cada dia. Meu trabalho persiste na descoberta dessa figura, grande figura. |